Combater o autoritarismo em nossa casa!
Atenção, docente da UFSB!
Neste momento crítico em que vimos um avanço da extrema direita no poder legislativo, e estamos lutando para reeleger o presidente Lula e resistir contra o fascismo, ainda precisamos resistir a uma grave ameaça à autonomia universitária e à liberdade de pesquisa na UFSB. Nós preparamos este texto para te explicar, passo a passo, a grave situação envolvendo o LABTERRASS, a comunidade quilombola de Volta Miúda e a Reitoria.
A SindiUFSB soube desse problema em 29 de agosto, quando a Reitoria publicou uma nota oficial desautorizando vídeos do grupo de pesquisa LABTERRASS. Neles, lideranças do Quilombo de Volta Miúda denunciavam a pulverização ilegal de agrotóxicos em seu território. Em vez de apoiar a comunidade, a Reitoria colocou sob suspeição o rigor científico da pesquisa e a aprovação em comitê de ética.
Acompanhe a cronologia dos fatos:
Antes, ainda, da nota oficial de 29 de agosto, a professora que coordena o LABTERRASS passou a sofrer pressão constante com prazos curtos para justificar suas metodologias.
Em 03 de Setembro, a SindiUFSB cobrou explicações em reunião com a Reitoria, mas fomos recebidos apenas por assessores e pró-reitores, sem o Reitor ou a Vice-Reitora. Eles alegaram agir devido a um ofício da multinacional Suzano... que só deu entrada na universidade no próprio dia 3, dias depois da nota oficial! O caso foi levado ao CONSUNI no dia 16 de setembro. Mais uma vez, o Reitor não estava presente. Nessa reunião, firmou-se o compromisso de que a Reitoria faria uma visita presencial ao quilombo, publicaria uma nota de retratação e retornaria com o assunto na pauta do CONSUNI. Resultado? Nada disso aconteceu! Todos os acordos foram descumpridos.
No dia 21 de Setembro, em reunião de Congregação do Centro de Formação em Ciências da Saúde (CFCS), a Decana afirmou ter participado de uma reunião online com a Suzano, ao lado do Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG). Não sabemos a pauta, o conteúdo, nem quem da empresa estava presente, o que só aumenta a insegurança de toda a comunidade acadêmica.
E a chamada para a próxima reunião do CONSUNI não contém esse assunto na pauta!
Até o momento, o Reitor nunca se pronunciou, não se reuniu com a professora, nem com a comunidade de Volta Miúda e nem com a SindiUFSB. Nossa professora, coordenadora do LABTERRAS, deu a cara a tapa, participou da reunião do CONSUNI, se vulnerabilizou. A SindiUFSB, as lideranças de Volta Miúda e o representante docente no CONSUNI também participaram. Mas onde está o Reitor?! A reitoria lava as mãos, faz a egípcia! É muito feio! Por que a Decana do CFCS e o Pró-Reitor da PROPPG foram a uma reunião com a Suzano, mas não se manifestaram no CONSUNI, diante da sua própria comunidade? Quem são essas pessoas da Suzano que estão cobrando explicações e chamando reuniões com nossos dirigentes, e para quê? As vítimas estão expostas, mas os opressores continuam se escondendo!
Nós convocamos todas e todos vocês para cobrar atitudes da Reitoria! O Reitor não mexeu com a autonomia somente do LABTERRAS, mexeu com toda a categoria! Com o avanço da extrema direita, que está ganhando cada vez mais espaço nas bancadas do legislativo, precisamos resistir às opressões das grandes corporações e manter a universidade pública, gratuita, de qualidade e com atuação junto às comunidades mais vulneráveis. Junto à classe trabalhadora.
O CONSUNI acontece em formato híbrido, com salas físicas nos quatro campi da UFSB. Chamamos vocês para estarem presentes na sala física do CONSUNI no seu campus. A reunião será quarta-feira, dia 14 de outubro, às 08h30. O Reitor precisa sair do seu esconderijo! Em tempos de escalada da barbárie e do fascismo, nós queremos saber: de que lado o reitor está?