Boletim de Greve Docente Número 6 - Mobilizações durante a visita do Presidente Lula para inauguração do Núcleo Pedagógico em Teixeira de Freitas (10/5/2024)

            Comando de Greve Docente UFSB

Boletim de Greve No 6 - 10/05/2024



Manifestações durante a inauguração do Núcleo Pedagógico do Campus Paulo Freire da UFSB e do Hospital Costa das Baleias em Teixeira de Freitas


Na manhã do dia 10/05/2024, ocorreram inaugurações do Núcleo Pedagógico do Campus Paulo Freire (CPF) da UFSB e do Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas. Participaram dos eventos: o Presidente Lula; o Ministro da Educação, Camilo Santana; o Governador da Bahia, Jerônimo; e outras autoridades, além da Reitora da UFSB, Professora Joana Angélica Guimarães, e gestoras/es.


O evento de inauguração do Núcleo Pedagógico foi restrito a 50 pessoas da UFSB. De acordo com informações da Reitoria, essa restrição foi imposta pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Tivemos acesso a essa informação por volta de 12h30min do dia 08/05/2024 e, imediatamente, solicitamos vagas para o Comando de Greve e a SindiUFSB, com a proposta de entregar ao Presidente Lula e ao Ministro Camilo Santana, em ato simbólico, a Carta de Teixeira de Freitas, escrita por nós. Obtivemos, prontamente, resposta favorável de membros da Comissão Gestora do CPF, que afirmaram ter encaminhado nossa solicitação à Reitoria. No dia seguinte, recebemos convite do Gabinete da Reitora para participação no evento, ao qual respondemos de forma imediata, por e-mail, confirmando a presença.


A Diretoria da SindiUFSB, em parceria com a Assufba (Sindicato da categoria de servidores/as técnico-administrativos/as - TAEs) e SINASEFE (sindicato dos servidores dos institutos federais), ofereceu ônibus partindo de Itabuna e de Porto Seguro para Teixeira de Freitas. No total, 62 pessoas viajaram para participar dos eventos, entre docentes, TAEs e discentes. A comitiva foi recebida por membros do CPF com um café da manhã, em que foram realizadas articulações.



Por volta do horário do almoço do dia 10/05/2024, soubemos que não constavam os nomes de representantes sindicais ou dos Comandos de Greve das categorias Técnico-administrativa ou Docente, nem das representações estudantis na lista de pessoas autorizadas a entrar no evento de inauguração do Núcleo Pedagógico. Em contato com o Gabinete da Reitoria, as informações que nos foram passadas, em diferentes momentos, divergiram: que a lista estava com o GSI desde as 10 horas da manhã, não sendo possível alterá-la; que nossos nomes não teriam sido enviados pela Comissão Gestora do CPF; que o convite enviado no dia 09/05 se referia, apenas, à cerimônia no Hospital Costa das Baleias (que, diga-se de passagem, era pública e com livre acesso à população); e, por último, que o próprio GSI teria vetado nossa participação, por preocupação com o estado de greve.


Ao mesmo tempo, percebemos que pessoas em cargos de alto escalão da UFSB compareceram em peso e ocupando a maior parte das vagas dentro do evento de inauguração do Núcleo Pedagógico; outras vagas contemplaram Decanos/as, coordenações de campus, coordenações de curso de graduação e pós-graduação do CPF. Enquanto isso, representações estudantis, TAEs e docentes não foram incluídas, neste momento sensível de greve, mesmo após obtermos apoio do Conselho Universitário na greve. Ficou no ar a reflexão: quem faz parte da universidade? De que forma estudantes, docentes e TAEs sem cargo, mas que ocupam representações em entidades das categorias, participam da vida acadêmica e política da UFSB?


Rapidamente, nos articulamos em mobilização em frente ao Complexo 2 do CPF, onde ocorreu o evento. Com camisetas, faixas, cartazes, bandeiras, muita disposição e coragem, nos posicionamos em frente ao portão de acesso ao campus, por onde passariam os carros com as autoridades convidadas. Com palavras de ordem (“Eu derrotei Bolsonaro e Mourão, agora tô esperando verba pra Educação”; “Polícia conseguiu aumento, trabalhador da educação zero por cento”; “Eu elegi Luiz Inácio de verdade, agora tô esperando verba pra universidade”; “A universidade é a nossa casa, sem a gente, esse prédio não é nada”), e com transmissão ao vivo pelo Instagram (@sindiufsb), cerca de 120 pessoas da comunidade interna da UFSB e outras/os colegas (IF Baiano, IFBA e Uneb, por exemplo) resistiram e reivindicaram participação democrática. Mesmo diante de ameaças do GSI de que chamariam a polícia militar, que, de fato, esteve presente, para nos retirar de lá à força, não cedemos. Após algumas negociações com assessor direto do presidente Lula, finalmente, foi atendida a reivindicação de destinar, ao menos, uma vaga para a representação de cada uma das categorias. Diante disso, liberamos o portão, conforme negociado.



A categoria docente foi representada pelo professor Álamo Pimentel, representante docente no Consuni, e pela professora Carolina Bessa, Diretora administrativa da SindiUFSB, ao lado de seu filho Ernesto Bessa (6 anos), o qual sempre participa de nossas atividades. O Presidente Lula recebeu dos representantes docentes a Carta de Teixeira de Freitas, assinada fisicamente pelas/os docentes grevistas presentes na data, um exemplar do livro “Diásporas  da educação superior no presente: a interiorização de uma universidade vista de dentro de uma escola pública”, escrito pelo professor Álamo Pimentel (Edufba, 2023), e um lindo coração de papel, confeccionado por Ernesto! Na ocasião, o Presidente Lula disse ao professor Álamo: “Vou cuidar de vocês!”. Na ocasião, o Ministro da Educação, Camilo Santana, também recebeu em mãos uma via da Carta assinada. 


       

Encerrada a manifestação, dirigimo-nos ao Hospital Costa das Baleias, onde nos reunimos a representantes do IF Baiano, do IFBA e estudantes presentes em veemente mobilização pela Educação Federal. O Ministro Camilo Santana, em seu discurso, afirmou que, naquela mesma data, foi publicada Portaria destinando 347 milhões para o orçamento das instituições federais de educação superior. Embora com valor ainda insuficiente, essa resposta mostrou a força do movimento grevista pela educação federal, que tem, como uma de suas principais pautas, a recomposição do orçamento. O Ministro também afirmou que na próxima semana (ou seja, entre 13 e 17 de maio), fará uma proposta à mesa de negociação nacional sobre reajuste salarial.


Finalizamos este relato resumido, retomando o encerramento da Carta de Teixeira de Freitas: “Reforçamos, ainda, que ‘fizemos o L’ em 2022 contra o fascismo porque subscrevemos uma agenda da vida, da democracia, da educação para a classe trabalhadora como prioridade neste país e também porque nosso L é de Luta!”. O dia 10 de maio de 2024 entrará para a história da UFSB, de Teixeira de Freitas, do Brasil e da SindiUFSB como um dia de luta, no qual conseguimos, com esforço, resiliência, articulação e movimento, assegurar um mínimo de representatividade num evento restrito aos altos e médios escalões, enquanto pessoas que estudam e trabalham nos campi ficaram para o lado de fora do portão!



Itabuna/Porto Seguro/Teixeira de Freitas-BA, 13 de maio de 2024. 


Comando de Greve Docente da UFSB

Contato: comandogeraldegreveufsb@gmail.com






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